questão de tempo

decisões…
decisões…
decisões…

questão de tempo?
ou muito tarde?

por mais triste que seja
entender tudo isso,
você quis assim…

e tudo o que posso dizer agora:
sigo em frente, não posso mais esperar
ou acreditar…

vou em frente
com você em meu coração:
pois o amor que sinto por ti…
não mudou até agora
e com certeza, jamais mudará…

embora seja questão de tempo te esquecer…

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Recomeçar

Não importa onde você parou, ou em que momento da vida você cansou…
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as esperanças.
E eu pergunto:
Sofreu muito nesse período?
Foi a dor do aprendizado…

Chorou muito?
Foi a limpeza da alma….
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las…
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da tua melhora.

Pois é…
Agora é hora de reiniciar, de encontrar prazer nas coisas simples…
Uma caminhada no parque, um livro que você sempre quis ler, um móvel que você pretendia reformar…

Olha quanto desafio, quanta coisa nova te esperando!
Ta se sentindo sozinho?
Besteira, tem tanta gente que você afastou com o seu período de isolamento.
Tem tanta gente esperando apenas um sorriso pra chegar perto de você.

Recomeçar!
Hoje é um bom dia para começar novos desafios. onde você
Quer chegar?
Sonhe alto! Queira o melhor do melhor.

Pensando assim, trazemos aquilo
Que desejamos.
Se pensamos pequeno, coisas pequenas teremos.

Fique pronto para a vida, para um novo amor.
Somos apaixonáveis, somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes.
Afinal de contas, nós somos o amor.

Texto: Paulo Roberto Gaefke

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Eu sei, mas não devia

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti

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Os versos que te fiz…

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder…
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda…
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei…
E nesse beijo, amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!


Florbela Espanca
Livro de Soror Saudade

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Cada vez mais…

Você me diz
tudo o que
sempre quis
ouvir…

Tudo o que
sempre
sonhei em
ter…

Tudo o que
sempre
imaginei
ser…

E ao escutar
de ti…

O coração
bate forte
cada vez
mais…

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