Monthly Archives: agosto 2007

A falta que ama

Entre areia, sol e grama
o que se esquiva se dá,
enquanto a falta que ama
procura alguém que não há.

Está coberto de terra,
forrado de esquecimento.
Onde a vista mais se aferra,
a dália é toda cimento.

A transparência da hora
corrói ângulos obscuros:
cantiga que não implora
nem ri, patinando muros.

Já nem se escuta a poeira
que o gesto espalha no chão.
A vida conta-se, inteira,
em letras de conclusão.

Por que é que revoa à toa
o pensamento, na luz?
E por que nunca se escoa
o tempo, chaga sem pus?

O inseto petrificado
na concha ardente do dia
une o tédio do passado
a uma futura energia.

No solo vira semente?
Vai tudo recomeçar?
É a falta ou ele que sente
o sonho do verbo amar?

Carlos Drummond de Andrade

Chico Xavier

“Quero nascer de novo cada dia que nasce.
Quero ser outra vez novo, puro, cristalino.
Quero lavar-me, cada manhã, do homem
velho, da poeira velha, das palavras gastas,
dos gestos rituais. Quero reviver a primeira
manhã da criação, o primeiro abrir dos olhos
para a vida.

Quero que cada manhã, a alma desabroche
do sono como a rosa do botão, e surja, como
a aurora do oceano, ao sorriso dos teus lábios,
ao gesto de tua mão.

Quero me engrinaldar para a festa renovada
com que cada dia nos convidas e desdobrar
as asas como a águia em demanda do sol.
Quero crer, a cada nova aurora, que esta é
a definitiva, a do encontro com a felicidade,
a da permanência assegurada, a de teu sim
definitivo.“

Às vezes

Às vezes é preciso destravar as portas,
abrir todas as janelas,
deixar o vento entrar,
destravar os cintos da insegurança
e decolar para assistir a terra de luneta,
comer pipoca sentado na lua,

escorregar pelas pontas das estrelas,
dançar no ventre das nuvens,
sonhar em outros planetas…
e dar muitas risadas com os cometas…

Às vezes é preciso ficar só…
Com um papel e uma caneta
para colorir o coração
e colocar mais alegria no viver
e se encantar com a felicidade
e não se esquecer dos sonhos!

Resista

Você vai superar esse momento difícil!

Resista um pouco mais, mesmo que as feridas latejem e que sua coragem esteja cochilando.

Resista mais um minuto e será fácil resistir aos demais.

Resista mais um instante, mesmo que a derrota seja um ímã… mesmo que a desilusão caminhe em sua direção.

Resista mais um pouco, mesmo que os invejosos digam para você parar… mesmo que sua esperança esteja no fim.

Resista mais um momento, mesmo que você não possa avistar ainda a linha de chegada… mesmo que as inseguranças brinquem de roda à sua volta.

Resista um pouco mais, mesmo que a sua vida esteja sendo pesada como a consciência dos insensatos, e você se sinta indefeso como um pássaro de asas quebradas.

Resista porque o último instante da madrugada é sempre aquele que puxa a manhã pelo braço e essa manhã bonita, ensolarada, sem algemas nascerá para você em breve, desde que você resista.

Resista porque estou sentada na arquibancada do tempo, torcendo ansiosa para que você vença e ganhe de Deus o troféu que você merece: A Felicidade!!!

A Lição da Borboleta

Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo; um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.

Então pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso.

Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia ir mais.

Então o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo.A borboleta então saiu facilmente.

Mas seu corpo estava murcho, era pequeno e tinha as asas amassadas.

O homem continuou a observá-la, porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo que iria se afirmar a tempo.

Nada aconteceu!

Na verdade, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas.

Ela nunca foi capaz de voar.

O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo pelo qual Deus fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de forma que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.

Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida.

Se Deus nos permitisse passar através de nossas vidas sem quaisquer obstáculos, ele nos deixaria aleijados. Nós não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido. Nós nunca poderíamos voar.

Eu pedi forças…
e Deus deu-me dificuldades para fazer-me forte.

Eu pedi sabedoria…
e Deus deu-me problemas para resolver.

Eu pedi prosperidade…
e Deus deu-me cérebro e músculos para trabalhar.

Eu pedi coragem…
e Deus deu-me obstáculos para superar.

Eu pedi amor…
e Deus deu-me pessoas com problemas para ajudar.

Eu pedi favores…
e Deus deu-me oportunidades.

Eu não recebi nada do que pedi…
mas eu recebi tudo de que precisava.”

Viva a vida sem medo, enfrente todos os obstáculos e mostre que você pode superá-los.