Entre areia, sol e grama
o que se esquiva se dá,
enquanto a falta que ama
procura alguém que não há.
Está coberto de terra,
forrado de esquecimento.
Onde a vista mais se aferra,
a dália é toda cimento.
A transparência da hora
corrói ângulos obscuros:
cantiga que não implora
nem ri, patinando muros.
Já nem se escuta a poeira
que o gesto espalha no chão.
A vida conta-se, inteira,
em letras de conclusão.
Por que é que revoa à toa
o pensamento, na luz?
E por que nunca se escoa
o tempo, chaga sem pus?
O inseto petrificado
na concha ardente do dia
une o tédio do passado
a uma futura energia.
No solo vira semente?
Vai tudo recomeçar?
É a falta ou ele que sente
o sonho do verbo amar?
Carlos Drummond de Andrade



5 Comments
como sempre carlos drummond nos deixa uma lição em cada poema seu.
minie, vc ta bem? manda noticias, pelo menos isso né?
bj 270998
Meus amigos literatos, isto é uma obra prima ao qual nem se deve jualgar, deve-se lela e compreendelas do começo ao fim. pois este foi
um dos maiores principes da poesia brasileira.
nao posso comentar uma obra viva nos coraçoes dode todos os brasileiros.
Meus amigos literatos, isto é uma obra prima ao qual nem se deve jualgar, deve-se lela e compreende las do começo ao fim. pois este foi
um dos maiores principes da poesia brasileira.
nao posso comentar uma obra viva nos coraçoes de todos os brasileiros.
Meus amigos literatos, isto é uma obra prima ao qual nem se deve julgar, deve-se le-la e compreende las do começo ao fim. pois este foi
um dos maiores principes da poesia brasileira.
nao posso comentar uma obra viva nos coraçoes de todos os brasileiros.