Shakespeare

Soneto 116

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,

Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

PS: Ao meu querido RoDarcy e ao meu querido BoDarcy!!!

2 Comments

  1. RoDarcy
    Posted 8 de janeiro de 2009 at 9:20 | Permalink

    Grato pequeno Astro, que norteia as velas errantes com ternas palavras!!!

  2. Posted 1 de julho de 2009 at 2:18 | Permalink

    Essa tradução de Bárbara Heliodora está muito ruim. Eu fiz bem melhor:

    “Que à união de almas, sincera,
    não admita eu impedimento. Não é amor o amor
    se, quando empecilhos encontra, se altera,
    Ou se curva ao mínimo temor.

    Oh, não! É o amor marco eterno, dominante
    Que encara a tempestade com bravura
    Estrela-guia de toda vela errante
    Cujo valor se ignora em altura.

    Não é o amor joguete do tempo, embora
    Sua foice não poupe a mocidade
    O amor não se transforma de hora em hora.

    Antes se afirma para a eternidade
    Se for isso falso e o engano, a mim provado
    Então nunca terei eu escrito, nem jamais homem nenhum, amado.”

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