Soneto 116
De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
PS: Ao meu querido RoDarcy e ao meu querido BoDarcy!!!



2 Comments
Grato pequeno Astro, que norteia as velas errantes com ternas palavras!!!
Essa tradução de Bárbara Heliodora está muito ruim. Eu fiz bem melhor:
“Que à união de almas, sincera,
não admita eu impedimento. Não é amor o amor
se, quando empecilhos encontra, se altera,
Ou se curva ao mínimo temor.
Oh, não! É o amor marco eterno, dominante
Que encara a tempestade com bravura
Estrela-guia de toda vela errante
Cujo valor se ignora em altura.
Não é o amor joguete do tempo, embora
Sua foice não poupe a mocidade
O amor não se transforma de hora em hora.
Antes se afirma para a eternidade
Se for isso falso e o engano, a mim provado
Então nunca terei eu escrito, nem jamais homem nenhum, amado.”