Category Archives: Poesias

Hoje…

o mundo inteiro pode dizer o que quiser de você na tentativa de me fazer acreditar… mas o que guardo comigo é o que conheço de ti… e para mim, nenhuma outra voz falante ao meu lado mudará isso.

Oscar Wilde

“A música cria para nós um passado que ignorávamos e desperta em nós tristezas que tinham sido dissimuladas às nossas lágrimas.”

É difícil escrever-te

É difícil escrever o que se sente
Se o que se sente está ausente
Perdido entre suspiros esquecidos
Submerso entre lágrimas enxugadas
Escondido entre sonhos doridos
Desnorteado em batalhas derrotadas!
é difícil escrever o que se sente
Se o que sente não pára de chorar
Se o que sente é uma ferida mal curada
Uma lágrima que teima em não cessar!
é difícil escrever o que se sente
Materializar todo o sentimento deste sentir
Toda a tristeza iminente
Neste acto de submergir!
é difícil escrever o que se sente
Se o que se sente não passa de um acto mal comandado
De uma poesia esquecida
De um fim não alcançado
é difícil escrever o que se sente
Se o sentido está no sentimento
é difícil escrever o que se sente
Quando isso vicia-nos o pensamento!
é Difícil escrever-te
Tu, que te sinto
Pois escrever-te é a beleza personificar
é difícil escrever o que sinto,
pois um pecado estaria a alimentar!
é Difícil escrever o que sinto,
Pois tu estás na essência do meu sentir
é difícil escrever o que sinto,
Triste sina da qual não consigo fugir!

Marco Veríssimo

A falta que ama

Entre areia, sol e grama
o que se esquiva se dá,
enquanto a falta que ama
procura alguém que não há.

Está coberto de terra,
forrado de esquecimento.
Onde a vista mais se aferra,
a dália é toda cimento.

A transparência da hora
corrói ângulos obscuros:
cantiga que não implora
nem ri, patinando muros.

Já nem se escuta a poeira
que o gesto espalha no chão.
A vida conta-se, inteira,
em letras de conclusão.

Por que é que revoa à toa
o pensamento, na luz?
E por que nunca se escoa
o tempo, chaga sem pus?

O inseto petrificado
na concha ardente do dia
une o tédio do passado
a uma futura energia.

No solo vira semente?
Vai tudo recomeçar?
É a falta ou ele que sente
o sonho do verbo amar?

Carlos Drummond de Andrade

Adeus

É melancólico dizer adeus
a um grande amor,
é necessário, às vezes,
resguardar o sentimento…,
aceitá-lo somente na alma,
vibrando puras sensações.

É sempre sombrio dizer adeus
a um amor inesquecível,
porém, por vezes é imperioso
conservar o sentimento para depois…,
abandoná-lo apenas na lembrança,
momentos eternizados.

É sofrido dizer adeus
a um amor singular de almas gêmeas,
premente se faz, às vezes,
abrigar o sentimento para depois…,
renunciar,
deixá-lo adormecido…,
esperar renascer somente num futuro,
quiçá distante.

É muito triste saber
que é chegado o instante de dizer adeus…,
guardar o sentimento para depois…,
renunciar… para não ferir e ser ferido,
desampará-lo quieto
para florescer em outro tempo,
momento certo de ser vivido,
livremente…

É triste dizer adeus ao amor eterno,
mesmo que por amor.
Adeus assim se equivale a renúncia sublime,
a entregar o sentimento a Deus
e esperar pelas luzes do futuro.

Poema de Moacir Sader

Poesia inspirada no grande amor/renúncia vivido pelos personagens do filme Casa Blanca, com interpretações inesquecíveis de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.